Por onde andei enquanto você me procurava?

Alguém colocou na nossa cabeça essa história aê do livre arbítrio. Acho que tá na Bíblia. Mas nem vou culpar a Bíblia não porque os filósofos gregos já manjavam dessas historinhas e se tem uma coisa que gregos não queriam muito era ler a Bíblia.

Pois bem. Mas uma coisa a gente tem que colocar na balança é que a culpa vem sim com o livre arbitrio. Eita coisa complicada essa.

Não, esse não era o ponto principal. Ou talvez fosse, vai-se saber. É que tem muito tempo que eu não escrevo, que eu não leio de verdade, acho eu. Fiquei no trivial, me prendi no olha, olha, que interessante, o que a família Kardashian está fazendo agora? Será que esses largados e pelados vão sobreviver os 21 dias? E fui vivendo a minha vida. Ou sobrevivendo né. Daí tudo ficou bastante confuso e manter o foco não era mais o objetivo principal da parada em si.

O resumo do enredo é que: depressão é algo engraçado. Deixar-se levar é algo engraçado. Não, não com a conotação de algo divertido. Bem. Longe. Disso. Estamos absurdamente longe disso. Mas ainda estamos aqui. Enfrentamos de cara e ainda estamos aqui. Quantos efetivamente fizeram isso? Quantos se trancaram num quarto escuro com ela, escutaram todas as vozes, afundaram no poço e se mantiveram? Quantos tiveram que se justificar, engolir o choro, dizer que nem é isso tudo e está tudo bem e conseguiram levar?

Eu ainda estou aqui. Ainda há vozes, ainda engulo o choro, não está tudo bem, mas ainda vou levando.

JK Rowling (a tia lá que escreveu Harry Potter que eu, vergonhosamente nunca li todos e mais vergonhosamente nunca vi todos – me julgue, sociedade), personificou absurdamente bem o que é a depressão na forma dos dementadores. Joga no Google e você vai descobrir como foi todo o processo, cara pálida. É complicado dar uma explicação de como essa doença (sim, é uma doença) toma conta de você. Ela não é uma tristezinha que passa, ela não é uma frescura de gente de cabeça vazia, ela não é algo que você escolhe ter. E tudo que eu queria muito, muito mesmo, era poder dizer que tem cura. Sabe aquele discurso lindinho cheio de gifs que a gente recebe em corrente de whatsapp? (mentira que não recebo porque bloqueio todo mundo) Então, não tem. Tudo é paliativo. Tudo é tratamento. Tudo é constância. Oxe, como isso é difícil pra mim que não sou constante nem tomando café da manhã.

Então.
Falei demais e nem era isso que eu queria falar pro inicio da conversa.

O que quero mesmo é tentar manter propósito. Em quê? No momento, na vida mesmo. Andar em linha reta, mas olhando a paisagem que seja. Contar o que tenho feito pra alguém. Tirar o pó desse blog que tá meio largado as traças. Contar o que tenho feito e o que não tenho feito. Dizer como é que a gente (sobre)vive quando tudo o que se quer é sumir e nada além disso.

Como eu deixei de ser eu, como eu voltei a ser eu, como eu fiz tudo isso e ninguém percebeu. Não, não é culpa de ninguém. Não é isso não. É só a vida mesmo.


E, quem sabe, se você estiver aí do outro lado, se sentindo meio assim… Saiba que não está sozinho. Calma que vai se ajeitar.  

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