E a vida?
E a vida vai aí.
Dizem que isso que tá pelos cantos, meio brumoso, meio perdido, é o que é a vida.
Eu não sei.
Mas não discuto.
Já discuto demais pelas inutilidades para transformar o que realmente importa em campo de batalha.
O caso é que me falta vontade. Me falta fé. Me falta querência.
Não direi que me falta coragem. Isso tenho. Ou o que tenha seja inconsequência, daí né, se você não mede consequências é bem fácil ser corajoso.
Só que não há cores. Simplesmente isso. Há muito não há cores.
Eu queria poder dizer que isso é de agora, dar uma data de aniversário, esquematizar tudo, poder laudar o caso mas acho que não dá. É desde sempre. Mas acho que só resolvi mesmo soltar as rédeas nos últimos capítulos mesmo porque né, chega uma hora que a gente cansa mesmo.
E eu tô cansada.
De não ter perspectiva, de fingir que agora engrena, que amanhã vai ser melhor, que o futuro guarda maravilhosas surpresas, que tudo vai ficar bem, que, que, que...
E nada, cara pálida.
A vida é isso aê mesmo. Esse monte de coisas desconexas tudo junto, te fudendo as ideias, sugando o que deveria ser bom, tirando o teu ar, deixando essa dor no peito que não sai por nada.
E a vida?
Como anda?
Anda me fudendo, como sempre.
Mas tudo bem.
Não reclamo mais.
E digo essa frase, tão infame, com uma gargalhada.
E aí ninguém percebe que eu já desisti há muito tempo.
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