Você é o que come.
E o que fala.
O que cala.
Aquilo que mostra e muito mais o que esconde.
Você é aquilo que chora escondido, no meio do trânsito, quando está no engarrafamento e se pergunta "o que é que tô fazendo aqui?"
Você é o que come.
E o que não come, que mantém no desejo, porque considera o que é que vão pensar.
Você é o que compra, o que distribui, é o que olha, o que deseja, quem stalkeia, quem bloqueia, quem escolhe para estar ao seu lado e em quem confia.
Você é a dor que sente e ignora, mas que não te deixa e você sabe {mesmo que finja para si, para todos, para o mundo que não}, que uma hora não será apenas uma dor e não haverá remédio que dê jeito. E você a será em toda a sua grandeza, em tudo que omitiu.
Você é a dor que sente e ignora, mas que não te deixa e você sabe {mesmo que finja para si, para todos, para o mundo que não}, que uma hora não será apenas uma dor e não haverá remédio que dê jeito. E você a será em toda a sua grandeza, em tudo que omitiu.
É o amor que não viveu, a resposta que calou, a cabeça que baixou.
Você é o medo na beira do precipício, a inveja que mal controla, a caridade que faz ao desconhecido. Você é o pedido de licença, o obrigado com o sorriso, a aspereza da resposta por causa do estresse, a gargalhada imprópria.
Você é a vida que ainda não viveu e não viverá.
A viagem que tanto desejou e não se realizará.
Os amigos que não fez.
Sim, você é o que come.
A dieta que faz.
A dança que pratica.
Os abraços e os beijos que não deu,
Aqueles que deu e se arrependeu,
Os amigos que perdeu,
Que perdeu e não entendeu o porquê.
Você é a situação hipotética, os olhares cruzados com o desconhecido que poderia ser o amor da sua vida.
{Talvez o seja.
E você o seja.
Exatamente por não sê-lo.}
Você é tudo o que quis,
Tudo o que não quis,
Tudo o que mostrou,
Tudo o que guardou.
Você é tudo e nada.
Tudo o que guarda.
Tudo o que não empresta.
Você é nada,
Nada além de egoísmo.
Quando quer.
E, sobretudo, quando não quer.
Tudo o que guarda.
Tudo o que não empresta.
Você é nada,
Nada além de egoísmo.
Quando quer.
E, sobretudo, quando não quer.
E agora você é o fim.
E o que será depois do fim?
Quando não mais interessa o que você comeu.
O que calou,
O que falou,
O que amou,
O que comprou,
O que deixou.
E o que levou?
O que se leva?
E você aí, tão preocupado em ser o que come e esquecendo-se que tudo vai além, muito além...
E eu aqui, tão preocupada em ser o que sou e querer que as coisas sigam além, muito além...
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