36
Quando a gente tem 13 anos tem
certeza que aos 15 a vida vai ser mais legal e mais divertida. Que aos 15 vamos
ter muitos amigos, muitas coisas pra viver, muitas risadas, muitos domingos de
sol na praia.
Aos 15 temos a sensação de que
sabemos tudo e, portanto, podemos tudo e
nossos pais são muito intransigentes em não nos deixar seguir a nossa vida.
Então, colocamos na cabeça que ao chegar aos 18 a vida vai se transformar. E aí
vem os 18. E nada se transforma. Você ainda é você. A vida ainda tá lá, te
dando as rasteiras de sempre e você vai vivendo com o que tem. Pegando a
primeira oportunidade que aparece, a decisão da sua vida pela cabeça dos outros
(mas que você não se dá conta até muito tempo depois que não foi a cabeça dos
outros, tampouco a sua quem tomou a decisão – foram os seus medos e a sua
inexperiência)
Então você se apaixona, conhece
pessoas novas, a sua vida gira e tudo segue o fluxo. E você tem a certeza
absoluta que aos 25 tudo já vai estar nos eixos. Você vai ter uma promoção, um
emprego dos sonhos, o homem da sua vida e a sua casa. E aí sim, aos 25, você
vai saber de tudo, poder tudo. E ninguém vai te controlar.
E aos 26 você se dá conta que
não, não tá no mesmo lugar de antes, mas nem perto de onde você imaginou que
estaria.
Mas segue assim mesmo. Porque você
tem certeza que aos 30. Ah, aos 30 você percebe que... É, de repente parece que
você piscou os olhos aos 13 e está ali, aos 30.
Agora aos 36 você tem absoluta
certeza que nãosabe de nada e pode ainda menos. Que não é nem de longe o que
imaginou que seria ou tem tudo aquilo que pretendia ter. E, contrariando
totalmente a sua sapiência inabalável dos 15 anos, isso não é ruim. Você é
absrudamente feliz como um comercial de margarina? Não, nem de longe. Mas vive
e sobrevive. A cada alarme que toca às 5:20 da manhã tem a mesma vontade de
fugir não sabe pra onde que tinha aos 13, ao 15, aos 18 e aos 25, a mesma que
tinha no ano passado, antes de ter 36 e sabe que tal vontade nunca vai te
abandonar. Porque essa vontade é você. Entretanto
entende que as coisas são como devem ser, tomam os rumos que precisam tomar e
tudo o que você pode realmente fazer é tirar todo o aprendizado possível dessa
loucura toda. Sem mágoas, sem bagagens dolorosas.
Se eu já consigo fazê-lo, aos 36?
Óbvio que não. Ainda tenho o “E
se” que martela aqui, essa ansiedade que não tem medicamento que efetivamente
controle, esse desespero por não conseguir seguir um cronograma para nada. Nada
mesmo.
E aos 36 me descubro a mesma que
era aos 13.
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