Se lembra quando a gente era criança e não existia o mundo (vulgo, Internet) e a gente fazia aqueles caderninhos com um monte de perguntas e dava pras amigas e pros bunitinhos do colégio responderem?

Qual o seu nome?
O que você gosta de fazer?
Você gosta de alguém do colégio?
Qual o seu maior defeito?
Qual a sua maior qualidade?

Pois então. Hoje em dia posso dizer que a minha maior qualidade é a minha procrastinação. (Porque defeito a gente aprende que tem sempre que dizer que é PERFECCIONISMO).

E olha, queria dizer que é só pras coisinhas chatinhas que é o que todo mundo faz. Mas não. Eu faço isso com tudo. Até com as coisas que gosto. Tudo pode ficar para depois. Tudo pode ser mais tarde. 

Fico tentando lembrar de quando isso começou. E não consigo. Acho que sempre foi assim. Vem de berço. Deve vir de útero. E caramba, eu quero mudar isso. Juro que quero. Mas é difícil, né. Porque, pelo o que dizem, pau que nasce torto nunca se endireita. Será que é genético? 

Quem me acompanha por aqui sabe de tudo que prometo e... não faço. Simplesmente isso. Vou deixando pra amanhã, pra depois de amanhã, pra depois da novela, pra quando der o comercial e puf. Foi-se o dia, foi-se a semana, foi-se o ano e nada do que programei aconteceu. 

Até que esse ano, entre trancos e barrancos, estou conseguindo melhorar. Um pouco. Quase nada, é bem verdade. Daí eu fico lá, falando aquelas frases de auto-ajuda que invadem o Facebook sobretudo as segundas (aquela coisa, né, segunda-feira é o recomeço de tudo, blá-blá-blá) como se fossem mantras. Até que eu lembro que, opa, não é a repetição que faz a diferença. É a absorção. E eu só absorvo gordura que vai direto pra bunda, ao que tudo indica.

E de repente, lá estou eu, no meio de tudo que eu deveria fazer, em meio a papéis que deveria ter jogado fora e planos que nunca seguem o roteiro que esquematizei simplesmente porque eu tive preguiça e procrastinei.

Quem olha de fora não diz.
Não diz mesmo.
Quem olha acredita que eu sou organizada. Pró-ativa. Corro atrás de meus objetivos. Faço o que quero.
Nada, gente. É tudo teatrinho.

Olha que frase bonita que sempre é postada as segundas por alguém:

Ai que bonito.
Ai que filosófico.
Ai que vai pra PQP porque o que eu quero no momento é o que eu mais quero na vida naquele momento e eu quero porque quero.

E pronto, procrastinei planos importantes para, simplesmente, dormir. Ou ver TV. Ou comer um brownie. E meia hora depois já me arrependi.

Dizem que reconhecer os próprios erros é o primeiro passo pra mudar. Olha essa outra frase bonita e suuuper motivadora que as segundas nos brindam:



Então, vamos cantar Let it Go e tentar fazer diferente a partir de agora, né? E se cair, a gente levanta. E se cair, sai do chão de novo (não, não vou mais colocar mais nenhuma frase motivadora aqui porque não sou a louca do RH).

It's funny how some distance
Makes everything seem small
And the fears that once controlled me
Can't get to me at all
Up here in the cold thin air I finally can breathe
I know I left a life behind
But I'm too relieved to grieve

(Mas a musiquita do Frozen é tão lindinha que eu não deixaria passar, né? =P )

Ah, sim. Esse post foi inspirado pelo pequeno-esporro-estou-tentando-te-ajudar-como-é-que-pode-você-não-fazer-o-que-sabe-que-tem-que-fazer que tomei de uma médica. Porque eu não tomo vitaminas. Isso mesmo. Eu não abro o potinho e pego a porra do centrum e engulo porque né, depois eu faço isso. Resultado: injeção na bunda de B12. Isso ou transfusão de sangue na semana que vem. Porque, né, a pessoa não pode abrir o caralho do pote de B12 e tomar 8 gotinhas. E isso nos leva a Vitamina D que tá tão baixa que tô com taxas iguais a idosas de 80 anos. 

É sim.
É caso de tratamento.
Psiquiátrico.

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