Defina Amor.
Sempre achei estranho aquela coisa de largar tudo por amor. Ou fazer loucuras por amor. Ou pagar mico por amor. Ou morrer por amor.
Sempre fui muito prática e egoísta para tais atos.
E, sinceramente, acho que amor é algo em extinção.
E fico aqui, vendo, olhando e considerando. E quando mais vejo, olho e considero, chego a conclusão que é um desespero coletivo esse tal de amor, essa coisa de encontrar a alma gêmea ou o nome que se quiser dar a tal coisa.
O que me parece é que não é amor. Simples assim, não o é.
É desespero de ficar sozinho. Cara, presta bastante atenção. Tem gente que se desespera ao pensar que ficará sozinho. Não aguenta. Não aceita.
Tem que casar. A mulherada tem que casar. Preferencialmente na igreja. Com festança pra chamar geral. Pra mostrar pra todo mundo que tá casando. Pra postar no Facebook as fotos. Até da Lua de Mel, se puder.
"Ah, é o sonho dela"... Sempre vai ter um que vai cantar essa pedra.
Não duvido. Tem um monte de gente que sonha com isso. Mas a minha pergunta é: por que o sonha? Em que se baseia esse sonho?
Gente, se é sonho casar, vai lá e casa. Precisa convidar 400 cabeças e morrer numa grana sem fim? Precisa cobrar juras de amor eterno na frente do povo?
E daí casa e antes de acabar de pagar as prestações do casório, o amor já fugiu pela janela. Porque ninguém sabe muito bem o que vem depois do "E viveram felizes para sempre". Pois eu te digo o que vem: uma pia cheia de louça pra lavar, uma casa pra faxinar e contas para pagar.
E esse amor que está sendo exposto por aí só é amor até os problemas chegarem. Só é amor até o dia-a-dia chegar e, opa, você é tão inconveniente deixando a porta do banheiro aberta...
Eu ainda não entendo muito bem as pessoas dizendo "Eu te amo" depois de, sei lá, 48 horas de convivência? Será que é coisas de vidas passadas? Porque, putz, para mim eu preciso de pelo menos uma vida para saber se amo alguém. E não é de uma vida de mosquito que tô dizendo não.
Se eu já disse "Eu te amo"?
Sim, certas vezes. Achava que amava. Superficialmente amava. Na superfície tudo é fácil, Cara Pálida. Mergulhar fundo e não morrer afogado é que é o grande lance.
Só que as pessoas preferem ficar só "boiando". E fingindo que são felizes. E mesmo que descubram que não o são, ainda demoram para desistir. Para simplesmente desistir do que está errado, do que não funciona, do que não é o que se queria que fosse.
Ainda não entendo porque tem gente que pensa "não, eu vou mudá-lo". Cara, na real. Não vai. Ninguém muda porque a gente quer. Ninguém muda para agradar. Mas como somos inocentes... Pensamos que sim, que conseguiremos tal façanha.
Tolices pueris que cometemos até os 60 anos...
As mulheres são as que mais sofrem desse mal. Elas acham realmente que o cara vai ser o que elas querem, que vão virar o que elas idealizaram.
Bobinhas.
Esquecem que os homens, muitas vezes, concordam e acatam sem ter a menor ideia do que estão fazendo. Simplesmente para que elas parem de falar. E pronto. E depois esquecem e repetem. E elas tentam de novo. E eles fazem o que elas querem e depois... esquecem!
Entendeu, né? Preciso repetir mais uma vez a volta, né não?
É isso aí.
E a pessoa acha que o "Eu te amo" resolve tudo. E que ama. E que é isso aí, por isso que vão ser felizes para sempre. Porque casaram com 400 testemunhas.
E depois o amor dá de cara com a rotina.
E puf!
Foi-se.
Mas aí, né... Como explicar para a sociedade? Como lidar com a sensação de que falhou? Como não continuar, já que estão ali?
Simples: tem um filho.
Quando a monotonia se instala tem gente que tem filho! Porque né, toda mulher tem o sonho de ser mãe. Mas só depois que casa. Para não fazer feio pra sociedade.
E coitada de você se tenta não seguir essa fórmula.
Você passa a ser uma recalcada, sem amor e sem felicidade.
E a gente pensando que no século XXI poderíamos ser o que quiséssemos se respeitássemos o próximo.
Que nada.
Comentários
Silvia
Magistral!