Porque a gente está exatamente onde deveria estar.
Eu tinha planos pretensiosos para a minha pessoa quando tinha, sei lá, 13 anos.
Daí que aos 15 eu tive o primeiro "não" que me mostrou que, ops, sua mãe estava errada e pensamento positivo não serve pra porra nenhuma na vida.
Porque, né, tem gente que cresce com aquela ideia de que se é perfeito, que a família o acha o melhor em tudo, que é super inteligente e que pode ser (e ter) tudo o que se quiser se seguir o Maktub que o Paulo Coelho escreveu.
Pois é.
Vim de uma criação dessas.
Só que lá aos 15 anos eu descobri que a porra do mundo não me achava especial para nada em particular. E daí que sempre, desde sempre, me faltou essa paixão. Porque as pessoas são apaixonadas por alguma coisa, né mesmo? Por um artista, por uma música, por alguma, meudeusdocéu, e vão passar tempos e mais tempos com essa coisa, com essa vontade, com essa querência. E vão crescer buscando algo que preencha, que lhes dê essa saciedade nessa paixão. Vão ter uma carreira por isso. Vão ter uma família. Vão fundar uma ONG. Sei lá, vão mudar o mundo - o seu, o nosso, o de alguém, que o seja.
Pois então.
Eu sou alguém que vem de um lugar onde "você pode ser tudo o que quiser" e "você é especial para Deus" e todas aquelas frases de livro de auto-ajuda encontram eco e eu não consigo, sequer, definir o que é a minha paixão e o que me impulsiona.
A memória é uma ilha de edição. Escutei isso numa música e sim, acredito piamente. E isso explica tanta coisa, que nossa, sou capaz de acabar cada momento de nostalgia me repetindo dita frase.
Bem, mas enfim, isso é só pra te situar, Cara Pálida, no que vou te dizer. Para que você não me diga que "ah, você está fantasiando as suas memórias".
O caso é que eu sempre me lembro dessa voz aqui dentro, dessa outra Eu que é tão eu e tão diferente que sempre me dizia o que aconteceria e que, "porra, não se engana que você não é dessas". Era essa voz que me pilhava quando eu me inventava alguma paixão. Era essa voz que me lembrava que não pertencia aquela realidade. Era essa mesma que dizia "esquece, isso é babaquice". Era essa voz que debochava de mim quando dizia "você não sabe o que é o amor pra achar que ama esse merdinha".
Pois é.
Esquizofrenia desde sempre.
Então, estou aqui e é essa voz que diz "larga de palhaçada". Só que não dá, por vezes não dá. Porque eu queria ter paixão. Eu queria ter planos e ambições que fossem além de "posso dormir mais meia hora?".
Porque se eu tivesse um plano, ao menos esboçado, acredito que tudo seria mais ou menos mais fácil. Porque se a paixão me consumisse e eu dissesse "agora eu quero e vai ser assim", as coisas aconteceriam.
Mas olha, entenda: Elas não acontecem simplesmente porque eu não quero. Porque me cansa só de pensar sobre tais assuntos. Não me parecem interessantes. Só que é isso que me agonia. Porque nada me parece interessante. Não há nada que, de fato, faça com que eu queria mudar, sei lá, correr atrás.
Vende Paixão no Mercado Livre, Cara Pálida?
Comentários
Vc é muito nova pra tanta apatia. Isso me cheira mais é a self-protection para evitar quebrar a cara pálida.
Assim não se vive.
Ou, realmente vc não acha graça em nada realmente q valha a pena.
Até na Itália vc sentiu essa apatia?
Realmente, acho que que ainda me falta força de vontade pra enfrentar certas coisas que sei que deverão render grandes batalhas...
Mas vamos seguindo,
Vamos na luta!